domingo, 15 de março de 2015

Canseira...

Estou cansada...
E não é de Petista, de Tucano ou de Doleiro.
Eu to cansada é do povo brasileiro.
Que na crista da moda defende a pátria em glória,
sem ao menos entender a sua história.
Eu me cansei dessa preguiça disfarçada de opinião
que acha que um Post muda uma nação.
E ainda tem esse diz que me diz de querer melhorar o país,
apertando seu "confirma" sem nenhuma diretriz.
Dizendo que está fazendo sua parte como cidadão
porque está indo a urna por obrigação.
Eu me cansei de verdade de todo esse discurso,
Que anda cego devaneando um percurso.
Queria ver dar seta em alguma direção
sem ter má vontade de mover a mão.
Ou ainda parar na faixa pra dar passagem
sem ter pressa de seguir viagem.
É tanta bandalha, tanto jeitinho e tanta esperteza
que chega até ser normal essa frieza.
Eu to cansada da falta de obrigado, de por favor e com licença
porque tudo virou um empurra empurra sem sentença.
E não adianta tentar culpar alguém pra dar justificativa
O Brasil é assim pela nossa falta de iniciativa.
E não vem me dizer que você tem a sua
apenas porque pintou a cara e foi pra rua.
Tem muita direita, muita esquerda nesse engarrafamento,
e muita conversa pra pouco embasamento.
Vai estudar, vai entender o que é ter educação
e parem de manifestar na boca o que está passando na televisão.
Isso é culpa minha, culpa nossa e de toda uma população,
que foi criada num mapa de pizza e regada num azeite de corrupção.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CAMINHOS


- Queria que o tempo me desse o seu tempo pra me repartir em dois.


- Eu seria a parte que você desejou de mim e nunca fui. Seria eu no seu. Sendo meu e teu.

- Não era pra deixar de sermos eu e tu, pelo medo de perder nós. Assim não completa dois. Assim só satisfaz um.

- Eu fui além de mim pra tentar alcançar o seu amor. Tive que me segurar em você. Tive que deixar você carregar.

- Você sempre foi leve pra mim, até querer levar em nós todas suas expectativas. Mas mesmo assim eu daria toda minha força para te ter.

- Eu criei seu eu pra mim. Não deixei você ser. Você tinha que ter me soltado. Você deveria ter me deixado. Mas você me atou em ti.

- Era medo de ver você voar e me deixar aqui com todo esse amor escorrendo em minhas mãos. 

- Foi assim que nos cegamos. Foi assim que fiquei sem ar e foi assim que você cansou. A gente só tentou se suprir.

- Eu to indo me buscar. Desculpa, eu fui seus passos por muito tempo. 

- Vai. Foi eu que quis ficar no seu colo. Ali era mais fácil. Pode ir. Eu preciso aprender a andar agora.

...
...
- Pára. Me buscar sozinho também cansa.

- Não dá. O tempo não me deixa.

- Não dá pra fingir a falta. 

- Não. Não dá.

- Então espera.

- Não te vejo. Não consigo...
Eu ainda busco algo em mim pra enxergar o que eu sou. Eu preciso tentar ser.

- Mas ser pros outros não é se encontrar. É se perder de si ainda mais.

- Eu sei, mas quando estamos sem caminho seguimos o fluxo. É a carência dos pés.

- A minha carência é nas mãos. Quando olho pra elas e vejo o vazio.

- Mas não era isso que te cansava? Ver suas mãos cheias de mim?

- Não. Esse foi meu erro. Não querer assumir a responsabilidade de um mesmo caminho. Eu achei que só existia se fosse lindo, se o caminho fosse flores.

- Mas só lindo ia ser só. Ia ser nada. Ia ser fácil. Assim não fica o amor. Assim é fábula,não história.

- Eu sei. Só agora que vejo minhas mãos vazias é que percebo que você era minha força e eu a sua estrada. Isso não é suprir, isso é completar.

- Então corre que meu tempo é seu. Não precisa se repartir.

- Corre também que você foi o que sempre desejei.. o seu assim.

- Vamos fazer o nosso tempo. Sendo eu, sendo você. Sendo assim mesmo.

- Não é pra ser o encontro de um.

 -Não é nem pre se transformar em um.

- É pra ser nós, enfim sós.

- É pra ser nós, enfim dois.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Magic

O instante mágico do encanto é o olhar que toca minha pele...
É o calor que passa pelo meu corpo quando me esquento no seu.
É quando me rouba do mundo e me sequestra num sonho sem dormir.
E aí eu me encanto com o momento que vira o instante mágico.
Que me salva do vício de querer fumar em troca da vontade de escutar.
E me deixa falar por horas em um tempo que a gente nem vê passar.
O instante mágico do encanto é te ver encantado com meu  instante...
É a leveza de poder querer mais apenas pela vontade de se sentir bem.
É quando a gente fica do mesmo tamanho e se enrola na água quente do banho.
E aí eu me encanto de novo com a mágica do instante.
Que em poucas vezes de encontro nos deixou soltos apenas por gostar de rir.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Parabéns

Viramos máquina das nossas máquinas, caminhamos numa reta constante sem olhar pro lado, sem respirar, sem mergulhar. 
Estamos alienados no nosso comodismo de querer evitar... de querer apenas andar e andar sem saber onde parar. 
Queremos correr do tempo, correr da chuva, correr do vento. 
Colocar o sapato, comer o pão, ligar e desligar a televisão. 
Não dobramos, não paramos, nem o ritmo mudamos. Você não cansa? 
Somos apenas um instinto de sobreviver. Sem ao menos querer entender. Você não sente?
Estamos passando, marchando e trabalhando. Você não vê?
Não ouve o silêncio da vida? Não sente o cheiro do ar?
O que você toca então?  Onde você vive em vão? 
Porque se nada te vale, pelo simples automático de ter que ir.... Nada te leva a querer ser. Parabéns por morrer. 





segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A menina sem pernas

Era uma vez uma menina sem pernas.
Que morava num mundo estranho, onde todos se escondiam de si.
Ela também se escondia, porque tinha vergonha de suas pernas que eram diferentes de todos que moravam lá.
Por isso todos achavam que ela não tinha pernas.
A menina não conseguia correr e vivia presa naquele mundo cheio de pessoas iguais que se preocupavam apenas com o que os outros escondiam.
Toda vez em que ela tentava sair alguém sempre dizia: “Lá vai a menina sem pernas, o que será que ela tem no lugar delas?”
Ela sentia medo de mostrar e por isso acabava ficando ali, parada naquele lugar onde ninguém a enxergava de verdade.
Uma noite a menina sem pernas decidiu fugir sem saber para onde. A única coisa que ela sabia é que queria voltar a correr, como quando era criança, sem medo de nada.
E ela foi, saiu se encolhendo pelas sombras do seu mundo e quando viu que ninguém mais podia vê-la, tirou o pano que escondia suas pernas e correu por uma estrada escura e solitária.
A menina correu tanto que já nem sabia mais onde estava, olhou para os lados e não viu nada. Então decidiu parar, ficar mais calma e descansar para poder seguir em frente quando o sol raiasse.
Ela caiu num sono profundo e feliz e sonhou como a muito tempo não sonhava. Sonhou que era livre e que corria em um campo de girassóis sentindo o vento no rosto.  
E quando ela sentiu o calor do dia amanhecendo em suas bochechas, ela acordou sorrindo, mas ao abrir os olhos levou um grande susto. Um menino cor de sol estava em cima dela parado olhando nos seus olhos.
No mesmo instante a menina procurou seu pano para poder esconder as pernas, mas quando olhou para o menino cor de sol percebeu que ele também tinha as mesmas pernas que ela.
A menina ficou olhando pasma para aquilo, ela achava que só ela tinha pernas assim. Então o menino cor de sol sorriu com os olhos e ao sorrir ela sentiu o seu calor e viu que não precisava mais sentir medo.
O menino cor de sol mostrou o campo de girassóis onde morava e contou para menina sem pernas que ela podia ser livre porque na verdade ela era um centauro e não deveria ter vergonha e nem medo disso.
E assim a menina sem pernas percebeu que podia ser quem ela realmente era e que medo era apenas a escolha de quem gostava de se esconder.

E desde então ela é conhecida como a menina cheia de pernas que corre livremente nesses campos de girassóis.  

Saindo de vez...

Não vi o tempo passar.  Mergulhei até o fundo e me mantive ali, naquele silêncio.
Tentando colocar os pés num chão que não chegava e quando percebi já estava escuro demais.
Meus ouvidos entupiram, meus olhos arderam e meu ar ficou preso. Mais uma vez me afogando...  Mais uma vez tentando morar num aquário que não era meu.
Ninguém pra me tirar dali, apenas eu juntando todas as forças para dizer adeus. Ali já havia sido bom, mas agora está frio e eu não fui feita para ficar embaixo d’água.  
Fiquei dias nadando contra toda a corrente da minha razão, juntei todo ar que me restava para poder sair.
Não foi fácil chegar a superfície, não está sendo fácil ver todo o fundo de fora.
Mas é bom estar por terra essa sempre foi minha essência.
Tente entender... Eu fui feita para correr e não para nadar. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Alma Penada

Tento me enxergar em espelhos cortados e me procurar em lugares escuros.
Tento sentir o que arde apagado em mim e me defender sem escudos.
Já caminhei em círculos e parei num quadrado... parado, na ponta de um precipício virado.
Coloquei meu abismo à prova e deitei em minha própria cova.
Dormi num sonho inacabado, calado. No silêncio de um grito rasgado.
E quando acordo encontro o mesmo espelho cortado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

arde... arde uma angústia que não sei de onde vem...
arde um nó que me aperta o peito e me encolhe no meu próprio eu.
Eu não me vejo mais, eu não me entendo mais, eu me esqueci dentro de um aquário sem ar.
O silencio entupiu meus ouvidos, a tristeza me deixou cega e a fraqueza me deixou muda...
Preciso sair, preciso gritar... Onde me acho? onde me vejo? ainda arde...
Arde uma ansiedade de um encontro comigo, arde uma vontade presa dentro desse vidro rachado.
Estou pronta para sair deste aquário, desejei isso com todas as minhas forças, preciso respirar... preciso soltar este suspiro torto como um gemido de alívio, fiquei fraca por nadar neste redemoinho que me afogou por tanto tempo, preciso sair... preciso sair... preciso quebrar esse vidro mesmo que me corte...apenas um impulso, apenas um lapso de força... e pronto.
A liberdade está ventando em meu rosto... cansei de nadar... é tempo de dançar...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Auto Retrato


Não gosto do perfeito, me agonia o ideal,
sou do tipo insensata, amada e poeta.
Gosto de tristeza, me divirto com a dor, nessa minha frieza ilegal.
Se não te agrada, não me aceite, pois não estou me oferecendo assim de esbanjo.
Me enforquem, me arrasem , me insultem...
Não sou do tipo correta e prefiro me pelar em frente a esta hipocrisia.
Aos que atinjo, obrigada pelos olhares foscos e as palavras amargas.
Eu não caio por pouco, só me ergo com coragem.
tive medo, chorei , senti e invejei...
E se te horrorizas com minha sinceridade,
é porque sentiu esta exatidão.
Não tente me julgar, sempre irá se surpreender.
Não sou do tipo que possa sempre te agradar
Os meus princípios eu vivo e minha essência eu exalo
E aos que vivem sem discernir, ou duvidar
aceitam esta imperfeição
pois sabem olhar o verdadeiro e aproveitar o meu melhor!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Convite


Eu sei essa dor que se sente
me lembro da angústia no peito, do aperto no estômago,
ainda sinto aquele peso na garganta.
Um gole de vinho para arranhar a ferida?
Aceite, é de bom grado, só para amaciar o peito e enganar a amargura por enquanto.
Não era para arder dessa maneira, desculpe se te embriaguei com a minha luxúria.
Eu me perco nesse lúdico lugar que criei. Não era para ter entrado, uma visita seria mais aprazível.
Mas eu abri portas, janelas e pior, ainda acendi um incenso...
Eu também teria aceitado meu próprio convite!
Mais um gole?
Pode deixar então, que tomo a garrafa inteira, preciso me embriagar sozinha...
Não posso mais te convidar, está na hora de seguirmos nossos tijolos amarelos,
ou a cor que você escolher... mas os meus são amarelos!
Não se irrite com minha leveza, talvez seja só momentânea, mas é necessária agora.
Essa dor já esteve comigo, e sinto também agora junto contigo.
Mas não quero que a carregue nas costas, leve como um escudo para seguir em frente.
Por favor não me culpe, se te convidei para entrar, foi porque queria que sorrisse comigo, não que só me fizesse sorrir. Não foi para suprir...
Não, não vou te dar o último gole!
Desculpe mas é preciso criar sua própria força, deixe que tomo tudo sozinha.
Se arder na minha garganta eu peço uma Coca-cola! E pode deixar que eu pago!
Isso não é egoísmo, isso é apenas eu... apenas...
Não, não menti, nem interpretei...
e juro... nada foi quimera, pois toda essa intensidade valeu a pena...

Por Giordanna Forte